Meu chefe não faz nada e ainda ganha mais que eu! A variável de confusão.

Recebi esta carta por email, com um pedido de ajuda e aqui resumo alguns pontos desta conversa. Obviamente os nomes aqui tratados são fictícios para evitar problemas…

Meu nome é Marcos Ambrósio tenho 29 anos, trabalho com TI, desenvolvendo sistemas para uma empresa especializada em CRM (Customer Relationship Management). Em outras palavras sou eu que faço estes sistemas via internet que conversam com o cliente e criam um banco de dados que orientam no desenvolvimento de novos produtos.

Meu chefe tem 40 anos – chamemos de Dorival Junior – fez informática em algum lugar do passado, não sabe nada e ganha todos os louros do meu trabalho. O cara chega as 10:00 h da manhã no escritório, almoça do meio dia as três, pega o material comigo para reunião das quatro com a diretoria e as 18:00 h vai para casa. Sempre dando carona para alguma funcionária, geralmente as mais bonitas é claro…

Marcos? Só me tire uma dúvida? Ele não deu carona para nenhuma namorada sua nem nenhum pretenso romance, deu?

– Não.

– Ainda bem. Vamos lá então:

– Como vai a empresa que você trabalha?

– Muito bem, vem fechando muitos contratos.

– Como é este mercado?

– Muito competitivo.

– Existem muitos cursos que preparam especialistas como você?

– Sim, mas sou da opinião que quem faz o especialista é o aluno.

– Sei… As empresas concorrentes tem gente boa, como você, trabalhando pra eles?

– Sim e já até mandei currículo para alguns amigos meus por lá…

– Ok. Marcos, não tenho uma boa notícia para você… Seu chefe é o cara!

Imagine que estamos testando dois grupos, comum numa concorrência, certo? Como você mesmo disse, mais ou menos homogêneos, com equipes de especialistas afiadas, o que provavelmente não diferenciará muito os produtos, correto? Tecnologia de ponta em ambas as ferramentas, com uma inspiração a mais aqui outra ali… Eis que surge Dorival! A variável de confusão.

A variável de confusão é aquela capaz de influenciar o resultado sem estar na linha de frente, sem ser o produto oferecido. Confundindo a associação entre o Ambrósio, o sujeito que desenvolveu o sistema e o desfecho, a assinatura do contrato. Faz você pensar Marcos, que com sua expertise foi o responsável sozinho pelo resultado, mas não foi… Ele, o Junior, não pertence ao projeto exposto para o futuro cliente, corre por fora. Sua existência é elementar e deflagra a ação do Dorival. Ele é independente de você, ele é seu chefe, mas por mero capricho da hierarquia, as empresas não são comunistas. Afinal ele ganha mais que você. Por si só não é capaz de vencer a disputa, não é o produto, não está na linha causal, no processo que será avaliado para a decisão, o desfecho do contrato. Não faz parte obrigatória da licitação. Mas sabe como influenciar o resultado. Dorival Junior é o cara! Aquele que pode mudar a direção do negócio superestimar ou subestimá-lo. Fechar um acordo por um ano ou dois ao invés dos seis meses habituais. Conseguir exclusividade. Melar a licitação. Ou até mesmo garantir um bônus por desempenho para sua empresa. Não é meramente um intermediário entre o software de CRM e a assinatura do contrato. Tem vida própria. É o simpático, o amigo, o conselheiro, o sócio, o amante e até o “homem da mala”… O CEO (Diretor Presidente), o coloca ou o afasta do processo dependendo das circunstâncias… Seu poder geralmente não é conhecido, nem mesmo pelos funcionários da própria empresa. Por isso mesmo que quem leva sempre a culpa oficial pela perda de um negócio são os Ambrósios da vida… Para associar sua atuação com os resultados é necessário conhecer todos os elementos ou variáveis basais, aquelas que participam direta ou indiretamente do processo licitatório. E nem sempre isto é possível. Resultados muito drásticos/ significativos para um lado ou para o outro, merecem a suspeição da presença da variável de confusão. Ou os Dorivais de plantão…

A vida “fácil” do seu chefe resume-se em longos almoços, para aproximar pessoas. São estas aproximações que alavancam negócios, isto é marketing de relacionamento! Dorival Junior foi esculpido na escola da vida, destas histórias que reserva vaga para poucos… Caronas para funcionários? Conscientes ou não são informantes internos da empresa que suprem suas longas ausências. E aqui entre nós, chegar as 10:00h depois de um bom café da manhã com as mais bonitas, é bom demais! Afinal ninguém é de ferro…

Abraço e boa sorte, Edgard.

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21 Comentários em “Meu chefe não faz nada e ainda ganha mais que eu! A variável de confusão.”


  1. Somente existe chefe para a monitoração da execução, se a execução for bem feita não precisa monitoramento, logo não precisa chefe, além disso chefe não precisa executar, precisa planejar, o que leva a crer a premissa de “não fazer nada”. Chefe precisa também ser o primeiro a ser considerado responsável por resultados positivos ou negativos, ou seja, alguém precisa ser “culpado”. Fundamentalmente julgar o ” não faz nada” é complexo, logo, ser chefe tem alta complexibilidade. Be Boss for a day and know what i mean!!!

    Posted by Cesar Rocha


  2. Por muitos e muitos motivos, mas principalmente porque ele deve estar há mais tempo do que você na empresa e deve ser (ou ter sido um dia…) considerado alguém de confiança para a organização. Em empresas que não se renovam ou ficam muito limitadas somente às suas visões internas (i.e. não se comparam ou trocam com o mercado) isso ocorre muito… o difícil é reter os mais jovens nessa situação!

    Posted by Menotti Russo Filho


  3. Concordo com o Cesar, a depender da chefia, ele não precisa colocar a mão na massa.
    A partir de Coordenação, Gerência, são cargos de planejamento, monitoramento dos resultados, e estudos para supostos desvios dentro do cronograma estabelecido. Para supervisão, é um profissional que pensa, planeja, mas que estar no ambiente para fazer as coisas acontecerem, juntamente com a equipe de execução.
    Enfim, o trabalho do chefe não é fácil, de alta responsabilidade, e se não der certo com certeza será o promeiro a ser punido ( demissão ).

    Abraços

    Posted by Igor Iglessias


  4. Realmente algo que acontece e muito!
    Na área onde trabalho isso é um caso “clássico”.
    Essa situação geralmente acontece em locais onde a gestão é familiar.
    Pois eles escolhem a pessoa de confiança para que seja mais “um leve e trás”, do que aquele profissional empenhado em fazer resultados para a organização.
    E tendo um salário bem favorável.
    Causando um desconforto enorme nos subordinados!
    Com isso, acaba deixando – os desmotivados e até mesmos em situações de buscas para outras oportunidades no mercado.

    Publicado por Cristiane Mendes


  5. Me dêem o direito de discordar. Essa opnião/conclusão é comum dos seres humanos. Existe uma tendência a sempre achar que o próximo faça menos do que nós, principalmente o nosso chefe. A escala é clara, quanto mais você sobe você recebe mais por menos atividades operacionais e mais atividades de responsabilidade.

    Publicado por Ébano Corrêa


  6. Trabalhar em TI não é uma coisa facil, e mesmo, cruel. Se a chefia erra, cortam salarios na base, e põem a culpa em alguem, normalmente o analista, pois o desenvolvedor apenas prova que tem ou não capacidades na linguagem. Realmente é o chefe que corre por tras em todas as posições, antes de se escrever a primeira linha. Primeiro, o Ambrosio deveria entender que se o sujeito virou chefe, escreveu antes muitas linhas de código, independente da escola em que se formou. Poderia ser até por correspondencia, mas bons programadores surgem até desta forma. Segundo que ele não deve ter participado das negociações, e provavelmente não estabeleceu a arquitetura do sistema. Terceiro ponto, é que areas de tecnologia possuem uma vaidade muito grande, e quando ele dá suas caronas, mostra que alem do cargo de chefia, ainda tem um bom salario e “pega” as menininhas, então… Vai babando! Uma pena, uma pobreza de espirito, mas é assim, cruel!

    Posted by Relington Baracho de Barros


  7. Edgard,
    Seu chefe não faz nada? Desse modo voce se expõe e pior, expõe sua hierarquia a uma situção no mínimo desconfortável.
    Mas para fomentar esse assunto posso dizer que: Uma série de fatores colocam pessoas em posições de chefia, uma delas é o tempo de casa e o conhecimento do processo como um todo, dessa forma o profissional ganha respeito e experiência, que muitas vezes podem ser decisivas em situções necessárias, a instituição enxerga esse valor como como importante, por isso elege o profissional ao nível de chefe e por sua vez paga melhores salários. Voce não é o único insatisfeito nesse mundo corporativo, pois de perfeito esse mundo não tem nada, mas atitudes como essa pode gerar de apontar o dedo e julgar ações não lhe trará nenhum benefício, muito menos uma posição de chefia com um salário maior.
    Tem sempre alguem lhe observando, esteja certo disso, quando sua hora chegar, e espero que chegue logo, voce será colocado em uma posição de destaque.
    Sucesso em sua trajetória.

    Posted by JULIO César DE CAMARGO


  8. 1) Neste mundo corporativo a política tem muito peso
    2) seu resultado soma no do seu chefe
    3) Antes de ele ser demitido ainda muitos subordinados serão
    4) Se seu resultado é bom e não está sendo valorisado,,,,CAIA FORA

    Posted by Dra. Maria Nazareth Rocha Vieira Perdigão


  9. Edgard, precisaria de mais detalhes da história para uma análise mais profunda. Acredito que a analogia que fiz é válida, assim como a sua opinião. Por fim, aconselho que vá tentando administrar a situação até onde suportar e em paralelo sondando o mercado e terá um final feliz. Boa sorte!

    Publicado por Ébano Corrêa


  10. Eu concordo com o Ébano Corrêa.
    Um cargo de chefia, faz com que as pessoas passem a ter outras atribuições, Elas são responsáveis diretas pela coordenação e resultado da equipe, enfim, possuem mais atribuições de responsabilidade.
    Isso não quer dizer que a pessoa trabalhe menos, muito pelo contrário! As preocupações aumentam, as cobranças, a exposição e o foco passa a ser outro.
    Claro que existem exceções !

    Publicado por Rosangela Polli


  11. Concordo com a Rosana e o Ébano.
    Muitas vezes pensamos que nosso trabalho é mais pesado ou algo parecido porem os subordinados tem hora certa para ir embora e não precisam responder pelo resultado do colega de trabalho, já o chefe tem que responder pelo resultado da equipe. Se algo não vai bem o subordinado pode simplesmente procurar outro emprego já um Chefe comprometido tenta reorganizar a equipe em busca de melhores resultados.
    Ser Chefe…quer dizer ser líder, conselheiro, saber interpretar gestos e atitudes, atividades muitas vezes não percebidas pelos subordinados.

    Abs!

    Publicado por Paula Fonseca


  12. E já viste a quantidade de chefes que este País tem? E a quantidade de governantes que nunca fizeram nada (pelos governados) e agora têm lugares cimeiros desde administradores, consultores, provedores (estes últimos aparecem só depois de estoirarem “broncas” nos sectores que deveriam fiscalizar). Enfim, por isso é que o nosso trabalhador singra e dá exemplo de eficácia quando vai para o estrangeiro, onde quem chefia, fez toda uma carreira profissional e para além de espirito de equipa, sabe motivar quem está sob o seu comando e dá o exemplo.

    Posted by Luís Monteiro


  13. Isso é mais uma daquelas questões culturais. É muito comum ouvir dizer que se quer chegar a chefe para dar ordens, para não fazer nenhum e para ganhar muito, uma espécie de relação senhor – servo da gleba. Já verifiquei este tipo de modelo em muitas empresas portuguesas. Resumindo: baixa produtividade. Isto porque se chefe não é propriamente ser um Líder.

    Posted by Sandra Silva


  14. Concordo com os colegas e sei que o chefe tem que atuar mais na parte estratégica, entretanto, para fazê-lo, e bem, um conhecimento mínimo se faz necessário. Existem muitos exemplos de chefes que acabam chegando ao cargo que exercem por QI e não exatamente por mérito próprio, sendo assim, esse profissional não somente é ruim na parte estratégica como também não sabe discutir assuntos de cunho técnico com a equipe, causando grandes constrangimentos e falta de credibilidade perante o cliente.

    Abs.

    Posted by Flavia D C Santos


  15. Infelizmente ainda vemos alguns casos como este em nosso país.
    É lamentável que alguns empresários não estejam atentos às perdas que decisões deste gênero possam determinar às suas empresas.
    O fato interessante é que alguns talentos sejam perdidos para as empresas concorrentes, tornando práticamente encefálicas as empresas que valorizam esta prática.
    Mas antes de mais nada, me permita lembrar que fazer muito não significa fazer aquilo que deva ser feito. Entretanto se além de fazer aquilo que não é de sua competência, você tem apenas a responsabilidade pelos fracassos e não colhe os louros do êxito é algo que deva ser considerado por você como aquisição de domínios, experiências.
    Não reclame disto você em breve estará capacitada a atuar com júbilo na concorrência. Assim sendo aproveite e ria amanhã pois é certo afirmar que quem ri por último pode rir bem melhor.
    Sucesso em seu caminho.

    Posted by Orlando Ferreira Ribeiro


  16. Orlando,

    Muito obrigada por suas considerações. Como já venho tomando essa atitude há algum tempo, percebo que estou no caminho certo, galgando minhas competências por mérito próprio e com certeza, com a ajuda de Deus, chegarei onde realmente serei devidademente reconhecida.

    Abs.

    Posted by Flavia D C Santos


  17. Olá, Edgard.

    Eu, pessoalmente, gostei, sim, do que aconteceu com o Marcos, pois mostrou a ele que nem tudo na vida profissional é preto ou branco. É preciso ter o pensamento multifocal, não apenas dialético. A vida não tem apenas dois ângulos, o bem e o mal. É um pouquinho mais complexa do que isso. E no texto você mostra as diferentes percepções para uma mesma situação. Só acho que está faltando comunicação clara dentro da empresa.

    Quando o Marcos diz no texto: “Meu chefe tem 40 anos – chamemos de Dorival Junior – fez informática em algum lugar do passado, NÃO SABE NADA”. Aqui, ele (o Marcos) matou tudo. Ele tem uma percepção totalmente deturpada do que seja o trabalho do seu chefe.

    Seu chefe, por sua vez, não esclareceu para o Marcos, e para os potenciais outros “Marcos” existentes na empresa, o papel de cada um ali. Isso se o chefe sabe que há essa idéia deturpada pairando no ar. Por tudo isso, acho que a falta de comunicação e transparência são os grandes vilões desse conflito.

    Infelizmente, essa situação é muito mais habitual do que se pensa.

    Abraços,
    Eliane Bonotto

    Posted by Eliane Bonotto


  18. Há muito o que se analisar: Qual é o cargo deste chefe? O que significa não fazer nada? O que significa fazer tudo?
    Certa vez tive um chefe – um Vice-Presidente – que fazia muito, na verdade, fazia tudo, se envolvia em tudo e mais um pouco, quando solicitava algo, já saia fazendo. Em pouco tempo tinha vários colaboradores delegando suas principais atividades para ele, mesmo porquê, sabiam que ele, ao pedir, já estava começando a fazer então, por que perder tempo naquela atividade?
    Não gostei nem um pouco de ter um VIP tão operacional – sempre falei para altos executivos que espero vê-los pensando estratégicamente e, portanto, sem muita “mão na massa”, porque, só dessa maneira vão ajudar a empresa crescer, melhorar, desenvolver, ter melhores resultados e, também, só nestas condições terão tempo para pensar, avaliar e reconhecer os talentos, os altos desempenhos. Sempre gostei de altos executivos que usam seu tempo para pensar a empresa e, portanto, permitem que os demais colaboradores façam as coisas acontecerem. Altos executivos que fazem muito, usualmente, não confiam no time.

    Publicado por Áurea Grigoletti


  19. Edgar, gostei muito da sua opnião e de seu texto. Vejo que, muitas vezes, a figura de quem “chefia” (não gosto muito deste termo) é mal vista e creio que na maioria dos casos sem motivo plausível. Se determinada pessoa chegou a este cargo ou função deve ser por merecimento e capacidade. Gerenciar, liderar e poder negociar em nome da empresa normalmente só são possíveis a quem consegue conquistar a confiança dos administradores da organização, então, o fato de alguns elementos na empresa aparentarem nada fazer, na verdade podem estar desempenhando atividades que não são ´percebidas pelo setor operacional, porém, sem estas atividades os negócios da empresa podem não acontecer.

    Publicado por Walter Orlando Junior


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